segunda-feira, 29 de junho de 2015




Exercício: Narrar algo que aconteça no fundo do mar com movimento de água.


Uma luz no abismo

__ Mayday! Mayday! Mayday!
O pequeno submarino de três metros de diâmetro começou a cair e do observatório no fundo do navio-mãe os tripulantes viram a luz da sonda, diminuir de intensidade na imensidão de um abismo sem fim.
Ao leste da costa da Groelândia, o geólogo John Lindsay e seus dois assistentes, Michael Logan e Diego Benites, funcionários de uma empresa petrolífera canadense faziam suas pesquisas a setecentos metros abaixo da superfície marinha. Um serviço rotineiro em mapear e monitorar o solo oceânico, e através desse trabalho encontrar reservas de petróleo e gás natural para futuras explorações.
O submarino, com os seus tripulantes, estava posicionado numa plataforma rochosa reconhecida como segura. Dali, por um determinado tempo podia-se observar e ficar na escuta para se ter a certeza que não havia mamíferos nas redondezas, pois o funcionamento do sonar pode acarretar danos enormes em baleias e golfinhos. Estes animais, muitas das vezes, têm seus tímpanos perfurados e até por fugirem de seu habitat, encalham em outras praias e morrem.
Durante esse intervalo os três companheiros de trabalho, e amigos particulares, aproveitam para assistirem o balé impressionante de pequenos seres luminosos, transparentes, algumas espécies ainda nem conhecidas. Eles filmam tudo para também mostras a seus familiares.
Naquela profundidade o mar é frequentemente calmo. A pouca correnteza é quase imperceptível, mas de repente um turbilhão veio de encontro ao pequeno veículo e o arremessou à parede rochosa. Ao bater na rocha, o submarino voltou e despencou para as profundezas.
Ainda deu tempo de ver o enorme tubarão, tão grande como uma baleia da Groelândia com seus 14 a 18 metros. Eles perceberam que se tratava de uma espécie de tubarão por causa da cauda e nadadeiras dorsais típicas deste animal. Mas não haveria tempo para comunicarem o fato ao mundo porque o impacto fora tão grande que danificou a parte elétrica e instrumental do veículo. Eles estavam indo de encontro à morte.
Após alguns segundos de uma descida vertical, o submarino aportou em areias tranquilas que tinham um brilho inexplicável e davam certa luminosidade naquele lugar profundo. Havia afundado por mais dois quilômetros além da plataforma. O submarino fora construído para suportar apenas mil metros de profundidade. Logo o ar no compartimento estaria rarefeito e com a pressão externa morreriam em alguns minutos. Deram-se as mãos e rezaram como nunca o fizeram antes.
De repente, numa das escotilhas laterais, surgiu uma mão membranosa e muito clara. Logo em seguida um rosto muito semelhante ao homo sapiens, mas ossudo e também esbranquiçado com um par de olhos enormes e esverdeados.
O medo já não mais existia para John e seus assistentes, pois sabiam que de uma forma ou de outra a morte era iminente em poucos minutos. Os três olharam para a escotilha central e avistaram dezenas daqueles seres esbranquiçados, adultos e filhotes, nadando em alta velocidade e volteando o submarino. Tinham enormes nadadeiras caudais semelhantes as das baleias e longos braços.
Aquela massa juntou-se ao redor do submarino e numa ação conjunta levantaram o veículo do piso e o transportaram, numa subida crescente e diagonal, até à superfície. Os amigos perceberam que aquilo era um ato de solidariedade. As criaturas eram inteligentes, talvez, ou por que não, certamente, mais humanas do que os humanos.
John, Michael e Diego saíram pela escotilha principal, jogaram o barco inflável ao mar. Estavam muito distantes do local que ocorrera o acidente. Subiram no barco a tempo de ver o submarino afundando novamente.
Acionaram o sinalizador e ficaram aguardando o resgate enquanto as sereias retornavam para o seu habitat.
   

04/05/2015

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