Exercício: Narrar algo que aconteça no fundo do mar com movimento de
água.
Uma luz no abismo
__ Mayday! Mayday! Mayday!
O pequeno submarino de três metros de diâmetro
começou a cair e do observatório no fundo do navio-mãe os tripulantes viram a
luz da sonda, diminuir de intensidade na imensidão de um abismo sem fim.
Ao leste da costa da Groelândia, o geólogo John
Lindsay e seus dois assistentes, Michael Logan e Diego Benites, funcionários de
uma empresa petrolífera canadense faziam suas pesquisas a setecentos metros
abaixo da superfície marinha. Um serviço rotineiro em mapear e monitorar o solo
oceânico, e através desse trabalho encontrar reservas de petróleo e gás natural
para futuras explorações.
O submarino, com os seus tripulantes, estava
posicionado numa plataforma rochosa reconhecida como segura. Dali, por um
determinado tempo podia-se observar e ficar na escuta para se ter a certeza que
não havia mamíferos nas redondezas, pois o funcionamento do sonar pode
acarretar danos enormes em baleias e golfinhos. Estes animais, muitas das
vezes, têm seus tímpanos perfurados e até por fugirem de seu habitat, encalham
em outras praias e morrem.
Durante esse intervalo os três companheiros de
trabalho, e amigos particulares, aproveitam para assistirem o balé
impressionante de pequenos seres luminosos, transparentes, algumas espécies
ainda nem conhecidas. Eles filmam tudo para também mostras a seus familiares.
Naquela profundidade o mar é frequentemente calmo.
A pouca correnteza é quase imperceptível, mas de repente um turbilhão veio de
encontro ao pequeno veículo e o arremessou à parede rochosa. Ao bater na rocha,
o submarino voltou e despencou para as profundezas.
Ainda deu tempo de ver o enorme tubarão, tão grande
como uma baleia da Groelândia com seus 14 a 18 metros. Eles perceberam que se
tratava de uma espécie de tubarão por causa da cauda e nadadeiras dorsais
típicas deste animal. Mas não haveria tempo para comunicarem o fato ao mundo
porque o impacto fora tão grande que danificou a parte elétrica e instrumental
do veículo. Eles estavam indo de encontro à morte.
Após alguns segundos de uma descida vertical, o
submarino aportou em areias tranquilas que tinham um brilho inexplicável e
davam certa luminosidade naquele lugar profundo. Havia afundado por mais dois
quilômetros além da plataforma. O submarino fora construído para suportar
apenas mil metros de profundidade. Logo o ar no compartimento estaria rarefeito
e com a pressão externa morreriam em alguns minutos. Deram-se as mãos e rezaram
como nunca o fizeram antes.
De repente, numa das escotilhas laterais, surgiu
uma mão membranosa e muito clara. Logo em seguida um rosto muito semelhante ao
homo sapiens, mas ossudo e também esbranquiçado com um par de olhos enormes e
esverdeados.
O medo já não mais existia para John e seus
assistentes, pois sabiam que de uma forma ou de outra a morte era iminente em
poucos minutos. Os três olharam para a escotilha central e avistaram dezenas
daqueles seres esbranquiçados, adultos e filhotes, nadando em alta velocidade e
volteando o submarino. Tinham enormes nadadeiras caudais semelhantes as das
baleias e longos braços.
Aquela massa juntou-se ao redor do submarino e numa
ação conjunta levantaram o veículo do piso e o transportaram, numa subida
crescente e diagonal, até à superfície. Os amigos perceberam que aquilo era um
ato de solidariedade. As criaturas eram inteligentes, talvez, ou por que não,
certamente, mais humanas do que os humanos.
John, Michael e Diego saíram pela escotilha
principal, jogaram o barco inflável ao mar. Estavam muito distantes do local
que ocorrera o acidente. Subiram no barco a tempo de ver o submarino afundando
novamente.
Acionaram o sinalizador e ficaram aguardando o
resgate enquanto as sereias retornavam para o seu habitat.
04/05/2015

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